Em uma entrevista divulgada pela agência de notícias Cointelegraph, Vitalik Buterin, cofundador do Ethereum, disse que a má aplicação da tecnologia blockchain em algumas indústrias é um “desperdício de tempo”.
Falando na conferência blockchain Devcon4, o cofundador do Ethereum disse que, embora exista um número de empresas que tentam estabelecer padrões mais altos usando a tecnologia blockchain, ele não acredita que a tecnologia seja aplicável em todos os setores:
“ÀS VEZES É PARA MARKETING SOMENTE. ÀS VEZES, SÃO APENAS PESSOAS QUE ESTÃO GENUINAMENTE EMPOLGADAS COM AS BLOCKCHAINS E QUEREM ALINHAR SEUS TRABALHOS COM A TECNOLOGIA, O QUE É UMA COISA TOTALMENTE LEGÍTIMA E HUMANA A SE QUERER FAZER.”
Buterin identificou criptomoedas e pagamentos internacionais como indústrias para as quais a tecnologia blockchain é mais adequada. “Todas as outras ideias – se estamos falando de produtos ou da identidade auto-soberana – isso é claramente algo que ainda precisa de muito mais tempo para ser trabalhado antes que possamos ver se faz sentido em escala”, afirma Buterin, adicionado:
“Elas [blockchains] definitivamente não fornecem 100% de garantias de coisas, especialmente no mundo real”, afirmou. Buterin também criticou a natureza proprietária dos projetos de blockchain corporativos de gigantes da tecnologia como a IBM:
“EU NÃO ENTENDO ISSO PROFUNDAMENTE, MAS O DETALHE QUE ME CHAMOU A ATENÇÃO É QUE ELES ESTÃO DIZENDO: ‘EI, NÓS POSSUÍMOS TODO O IP E ISSO É BASICAMENTE NOSSA PLATAFORMA E VOCÊ ESTÁ ENTENDENDO’. E TIPO, ESSE NÃO É O PONTO.”
Buterin também referiu-se à blockchain da IBM para rastreamento de alimentos, que é projetada para fornecer confirmação sobre a origem dos produtos, afirmando que, embora o projeto tenha valor potencial, ele não tem certeza da capacidade da empresa de executá-lo.
Quanto aos aplicativos não financeiros, Buterin disse que gosta da ideia de autenticação de diplomas universitários que está sendo implementada em Cingapura. A tecnologia supostamente permite que as instituições emitam digitalmente certificados de educação em uma blockchain.
No início de novembro, o Ministério da Educação da Malásia anunciou a criação de um Consórcio Universitário para combater fraudes de graduação usando a tecnologia blockchain. O sistema é projetado para emitir e verificar a autenticidade de diplomas emitidos pela universidade, enquanto o próprio consórcio tem por objetivo “disseminar o treinamento de habilidades”, bem como desenvolver e adotar a tecnologia por estudantes e acadêmicos.
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